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Congresso 2017

Declaração política da UCID sobre situação vivida por várias famílias em Santo Antão

A martirizada vida que as Mulheres e os Homens Cabo-verdianos que vivem no campo, sentindo na pele, por causa dos quase quatro anos de seca, constitui para o mais simples dos cidadãos, como um dos problemas mais graves que o País enfrenta neste intervalo de tempo em referência.

 

Com maioria de razão estes problemas deveriam ser exponenciados em 2, 3, 4, se dos nossos Governantes se tratassem. Infelizmente, não é esta a leitura que os Governantes do MPD, atuais  líderes da República têm.

Da Brava a Santo Antão, os Criadores de gado e os Agricultores experimentam no dia a dia das suas labutas as piores experiências que um ser humano amante da terra poderia ter experimentado.

Enquanto isso, não obstante os retumbantes anúncios feitos pelo Governo, a vida real, vivida e experimentada pelos criadores e agricultores Cabo-verdianos, vai sendo cada vez mais uma miragem, esperando que a Mãe Natureza através dos desígnios de Deus, faça cair sobre a terra seca e escaldante, a bendita chuva.

Como diz o ditado que todos aprendemos “ Deus manda-nos pôrr a mão, Ele nos ajudará”. Mas o cidadão Camponês, sem recursos, pouco ou nada poderá fazer, o que se entende, já ao Estado não se consegue entender a lentidão com que disponibiliza os apoios técnicos e financeiros para que se cumpra o desígnio do Senhor. Pôr a mão para que Ele nos possa ajudar!

As inúmeras visitas feitas aos Agricultores e Criadores em São Vicente, Santiago, S. Antão, Boavista, só para citar estas, dá-nos argumentos políticos suficientes para exigirmos que o Governo faça mais em prol destes bravos cidadãos.

Senhor Presidente da Assembleia Nacional,

Permita-nos situar a nossa preocupação, com um pouco mais de profundidade, neste pouco tempo que nos é dado pelo Regimento desta Assembleia, na Ilha de Santo Antão, onde tivemos a oportunidade de neste último fim de semana, estar numa visita de trabalho.

A Pontinha de Janela exige uma presença dos poderes políticos instituídos, para que se possa garantir-lhes rendimentos, acima de tudo aos Jovens que de uma maneira geral encontram-se entregues a sua própria sorte e ao capricho do mar, onde, quando calha, vão a procura de sustento. Aqui, a criação de infraestruturas de apoio a pesca é fundamental, bem assim como, a criação de condições que permitam a estes lobos do mar, obter os instrumentos necessários para uma boa faina.

A localidade de Lombo de Santa com os equipamentos do poço artesiano já instalados, deverá permitir, desde já, a disponibilização da água para a agricultura, agraciando assim os agricultores com o precioso líquido, transformando toda aquela encosta numa zona mais produtiva, permitindo aos moradores obter rendimentos financeiros. Esperamos que o mais rapidamente possível as mulheres e os homens se organizem e tirem o proveito dos equipamentos ai instalados.

No que concerne a zona do Vale da Garça, gostaríamos de lançar um apelo ao Governo para que massifique a utilização do sistema de rega gota a gota, para poder permitir uma maior rentabilização da água existente naquele vale. A UCID alerta o Governo para que se implemente o projeto há muito falado de ordenamento hídrico do vale. A implementação deste projeto irá permitir uma maior disponibilidade da água ao longo do vale e consequentemente maior rendimento para as famílias. A disponibilidade da energia elétrica a barragem do canto de cagarra, não obstante a mesma estar seca neste momento, devera merecer uma atenção muito especial. Não se vai esperar para que chova e a barragem encher, para só depois se iniciar os trabalhos com vista ao fornecimento de energia.

Na Vila de Chã de Igreja a penúria de água é mais do que evidente. Basta vermos os campos outrora verdejantes e que agora mais parecem um campo de batalha onde tudo se queimou. Os agricultores desta zona precisam de mais água para poderem desenvolver todo o potencial agrícola existente na localidade. Infelizmente o caudal que se esperava do furo artesiano na barragem ficou muito aquém daquilo que se previa. Provavelmente devido a disponibilidade de energia. Urge resolver este problema, recorrendo a fonte clássica de energia elétrica, como complemento.

A Ribeira de Caibros desde o seu início, Boca de ambas as Ribeiras, é uma ribeira com alguma água, mas que precisa ser racionada através de uma maior utilização da rega gota a gota lá onde for possível.

O Governo deve criar as condições necessárias para que os Agricultores possam ter acesso ao sistema da rega gota a gota o mais rapidamente possível, proporcionando assim um melhor uso.

Nesta Ribeira, um dos maiores problemas dos agricultores e suas famílias, é a qualidade da estrada. A UCID já perdeu a conta, as vezes, que nesta casa parlamentar falou sobre este acesso. Não se pode aceitar nenhum tipo de desculpas para não melhorar este acesso, que quando chove, impossibilita aos moradores desta localidade o acesso as suas moradias e propriedades.

A mesma situação passa-se com a Ribeira de Chã de Pedras, onde o acesso até a Pia de Cima precisa de intervenção urgente para se garantir a segurança rodoviária. Temos tido muita sorte e pensamos que não poderemos continuar a abusar desta mesma sorte. A intervenção nesta estrada é urgente!

O acesso as localidades de Agriões, Bento e Guada precisa ser rapidamente equacionada para que se possa levar o desenvolvimento as famílias que nelas vivem.

Nas localidades acima referenciadas no Concelho da Ribeira Grande a Iluminação publica precisa urgentemente de ser reabilitada dando assim conforto as populações das referidas localidades, que por sinal, também, contribuem com os seus impostos para o funcionamento de todo o Pais.

Descendo um pouco para o Sul, no Concelho do Porto Novo, a situação se nos afigura mais alarmante, principalmente para os criadores de gado.

As famílias precisam de uma atenção muito especial dos Governantes. A garantia permanente do abastecimento de água deve ser um compromisso que não pode deixar duvidas nas cabeças dos criadores. Estes não podem ter duvidas no que tange ao abastecimento de água para poderem garantir a sobrevivência dos seus rebanhos. As avarias dos autotanques não poderá em nenhum momento condicionar o abastecimento dos criadores. As instituições devem recorrer aos autotanques privados quando os do estado estiverem avariados, para que se garanta o fornecimento permanente da água. Não se aceita que animais estejam a morrer ou que sejam vendidos ao desbarato.

As localidades do Planalto Norte, nomeadamente, Pedra de Jorge, Lombo das Lanças, S. Tomé, Campo Redondo, Bolonha, Chã de Feijoal, Chã de Cruz, Pascoal Alves precisam urgentemente de uma atenção muito especial para que possam manter as suas atividades económicas.

Os vales cheque não são de todo a solução que estes criadores precisam. Uma grande parte deles alimenta os seus rebanhos com milho, que por sinal não tem nenhuma comparticipação. Propomos que o Governo coloque a possibilidade destes adquirirem estes grãos a valor mais baixo.

Uma outra solução poderia ser a disponibilização de linhas de crédito agrícola com juro baixíssimo e tempo de carência alargada para permitir uma atividade menos stressada.

Questões como energia elétrica, sinais de rádio, telemóvel e TV são uma constante nestas localidades que infelizmente eternizam no tempo. O governo deve dar um sinal positivo neste sentido.

O projeto de adoção de água de Escraverim, infelizmente, para o Planalto Norte continua a espera de dias melhores, apesar de ter sido lançado há uns meses a esta parte. A insensibilidade é por demais, evidente.

Senhor Presidente da Assembleia nacional,

As más noticias, infelizmente, ainda continuam na Aldeia do Norte, Chã de Norte e Jorge Luís. Nestas localidades, mais uma vez, a disponibilidade de água dos furos é um dilema. Chã de Norte vai com 1 ano sem água do furo que permitiria aos Jovens agricultores garantirem o sustento das famílias. Várias foram as vezes que questionamos aqui esta situação. Os jovens exigem que se criem outras soluções de rendimento enquanto não se disponibilize água para desenvolverem as suas parcelas agrícolas.

A mesma situação se vive na localidade de Jorge Luís, onde os jovens, também, clamam por mais água. A recuperação de um dos dois furos desta zona seria de todo aconselhável, permitindo assim mais água para as famílias poderem trabalhar.

A mesma situação se coloca na Aldeia do Norte, onde a nascente de Guada de água amarga espera que se faça alguma intervenção para se aumentar o caudal. Não se compreende tamanha inércia!

Terminaríamos essa nossa fala com a situação da Casa do Meio, onde os agricultores precisam de mais apoios para o combate as pragas, bem como a requalificação desta aldeia que dista a poucos kms da Cidade do Porto Novo. A requalificação das ruas, o acesso a aldeia, a melhoria da iluminação pública, a construção de infraestruturas socioculturais e a criação de empregos para os Jovens são algumas das exigências que os agricultores e moradores exigem.

Senhor Ministro;

Uma maior disponibilização e melhor uso de água nos vários pontos de Santo Antão deveria merecer uma prioridade absoluta. Continuamos sem entender a tremenda resistência que o Governo apresenta na utilização de tecnologia para garantir a tranquilidade dos criadores e agricultores em todo o Cabo Verde.

Tenho dito

UCID, 19 de março de 2020 - AN